quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Incêndios: Politécnico de Portalegre lança campanha para angariar árvores de fruto


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O Instituto Politécnico de Portalegre (IPP) desafiou hoje a comunidade escolar e a população da região a doar árvores de fruto para ajudar na reflorestação dos concelhos afetados pelos incêndios, na zona do Pinhal Interior Sul.

Intitulada "Plantar para colher", a iniciativa, que termina no dia 27 deste mês, é promovida pela coordenação interdisciplinar para a investigação e inovação, em parceria com o Centro de Cultura e Desporto do Pessoal do Politécnico de Portalegre.

A porta-voz da campanha, Paula Reis, explicou hoje à agência Lusa que a ação pretende angariar de árvores de fruto, uma vez que "boa parte" dos residentes da zona do Pinhal Interior Sul, sobretudo nos concelhos de Oleiros e Sertã, distrito de Castelo Branco, vive da pequena agricultura.

"Estamos a falar de uma zona em que existe pequena agricultura, em que uma boa parte das pessoas tem como base de alimentação, devido aos seus baixos rendimentos, o cultivo de pequenas hortas e foi nesse sentido que nasceu esta campanha", disse.

Além das árvores de fruto, o IPP vai também entregar sementes de ervas aromáticas, oriundas de um viveiro instalado na Escola Superior Agrária de Elvas.

A campanha "Plantar para colher" inclui ainda com uma caminhada de sete quilómetros, que vai decorrer no dia 27 deste mês, data em que é assinalado o "Dia do IPP".

A inscrição para a caminhada é gratuita, mas a organização apela aos participantes a entregar uma árvore de fruto, preferencialmente macieiras, pereiras, laranjeiras, pessegueiros, ameixoeiras, diospireiros e castanheiros.

Os incêndios que a 15 e 16 de outubro atingiram particularmente 27 concelhos da região Centro provocaram 45 mortos e cerca de 70 feridos, destruíram total ou parcialmente cerca de 800 habitações permanentes e cerca de outras tantas casas, quase 500 empresas e extensas áreas de floresta.

Culturas de regadio com boas previsões de produção apesar do clima


Apesar das condições meteorológicas, o INE aponta para aumentos de produção de fruta, amêndoas bem como na vinha e olival, em outubro de 2017. A seguir Plano de Regadios é "grande aposta" na competitividade da agricultura portuguesa -- ministro 

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou hoje os dados das previsões agrícolas de outubro de 2017, que apontam para aumentos de produção de fruta, amêndoas bem como na vinha e olival, apesar das condições meteorológicas. De acordo com o documento, as condições climáticas não comprometeram a campanha nos pomares de pomóideas (maçãs e peras). 

A produção da maçã deverá fixar-se em 300 mil toneladas, enquanto a da pera deve rondar as 165 mil toneladas, o que corresponde a aumentos respetivos de 25% e 20%, face a 2016. O kiwi deverá atingir um valor recorde de 31 mil toneladas, potenciado pela entrada em produção de novos pomares, o que se traduz numa previsão de subida de 10 mil toneladas, face ao ano anterior. "A produção de amêndoa também deverá atingir níveis que já não eram alcançados há muitos anos, mais 282% quando comparada com a média dos últimos cinco anos", lê-se no documento. 

Em 2017, a produção de amêndoa deve fixar-se em 22 mil toneladas, face às nove mil toneladas verificadas em 2016. De acordo com as previsões do INE, deverá registar-se também um aumento de 10% da produção de vinho, face a 2016 para 6,39 mil hectolitros, que, conforme indica o instituto, deverá ser de qualidade superior, tendo em conta o estado das uvas vindimadas. No que se refere aos olivais, "a produção deverá ser próxima do normal, com os olivais intensivos a compensarem a menor produtividade dos tradicionais", refere o INE. No olival para azeite prevê-se um aumento de 1%, o que aponta para produtividades globais próximas da média dos últimos cinco anos. 

Verifica-se que "nos olivais regados foi possível conduzir à maturação de grande parte da carga das árvores", enquanto nos olivais de sequeiro, que representam três quartos da área total desta cultura, "a escassa precipitação de setembro e outubro, aliada às elevadas temperaturas, conduziu a situações de perda da produtividade e afetou, negativamente, o conteúdo oleico das azeitonas", conforme indicam os dados estatísticos. Prevendo-se assim que a cultura da azeitona para mesa em 2017 seja de 1.900 quilos por hectare e da azeitona para azeite de 1.580 quilos por hectare. Afetados pela falta de precipitação, os soutos devem registar um decréscimo de 15%, face à campanha do ano anterior, com as castanhas a apresentarem menores dimensões. 

Desta forma, em 2017, a cultura de castanhas deve fixar-se em 23 mil toneladas, face às 27 mil toneladas registadas no ano anterior. Já no que se refere às culturas temporárias de primavera e verão, os dados destacam a produção de tomate para indústria, que apresentou uma previsão de subida para 1,68 milhões de toneladas, face aos 1,59 milhões registados em 2016. A falta de água na bacia hidrográfica do Sado e a consequente diminuição da área semeada levaram a que a produção de arroz fosse 10% inferior à média verificada entre 2012 e 2016. Em 2016, a cultura de arroz fixou-se em 169 mil toneladas, em comparação com as 161 mil toneladas previstas para 2017. 

Os dias quentes e secos favoreceram a colheita do milho de regadio, que aumentou 5%, passando de 693 mil toneladas em 2016, para uma previsão de 727 mil toneladas para 2017. "O índice meteorológico de seca PDSI1 ['Palmer Drought Severity Index'] revelava que, no final de outubro, todo o território de Portugal continental se encontrava em situação de seca, aproximadamente 25% em seca severa e 75% em seca extrema (classe de seca mais grave", refere o INE. A mesma fonte conclui que o cenário de seca teve "impactos substanciais", quer sobre as culturas instaladas, quer sobre a programação da ocupação cultural do ano agrícola, que tem agora início.

CNA considera “insatisfatórias” medidas para combater efeitos da seca e dos incêndios


21/11/2017, 21:39
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A Confederação Nacional da Agricultura considerou que as medidas aplicadas pelo Governo para combater os efeitos da seca e dos incêndios são "insatisfatórias e insuficientes".


A Confederação Nacional da Agricultura considerou esta terça-feira que as medidas aplicadas pelo Governo para combater os efeitos da seca e dos incêndios são "insatisfatórias e insuficientes".

"As medidas que até agora estão definidas institucionalmente são, de forma global, insatisfatórias e insuficientes, algumas são mesmo desadequadas", disse o dirigente da CNA, João Dinis, numa audição na comissão parlamentar de Agricultura e Mar.

Para o representante dos agricultores, a situação "é de excecional gravidade" e, por isso, são necessárias medidas que acompanhem as consequências provocadas pela seca e pelos incêndios.


"Na região Centro, tirando em algumas batalhas e guerras declaradas, nunca houve uma catástrofe que levasse tantas vidas em tão curto espaço de tempo. Nem nas estradas", acrescentou João Dinis, referindo-se aos incêndios florestais.

Durante a audição, a deputada do CDS Patrícia Fonseca sublinhou que as verbas do Plano de Desenvolvimento Rural (PDR) não "podem ir todas para estas calamidades", porque significaria um retirar de dinheiro necessário para acudir a outros problemas.

Já o deputado do PSD Maurício Marques solicitou a ajuda da CNA para encontrar medidas que ajudassem a alterar a forma "de ser e de estar da agricultura", tendo em conta os recentes acontecimentos.

"A situação da seca é uma tragédia, vamos caminhar para a falta de abastecimento público das populações e, quando isso vier para cima da mesa, vamos ter que tomar decisões que vão ser um autêntico flagelo", alertou o deputado do PS Pedro do Carmo.

Por sua vez, João Ramos, do PCP, defendeu que para resolver o problema das florestas não são necessárias "alterações legislativas de fundo", mas a criação de condições para que as regras sejam cumpridas.

Em resposta às intervenções dos deputados da comissão parlamentar, a CNA defendeu que é importante refletir sobre a produção da agricultura, no que diz respeito a perceber quais são os tipos de plantações que se adaptam ao clima e que, consequentemente, necessitam de um menor consumo de água.

No que se refere ao PDR, a confederação considerou que, mais importante do que saber se as verbas estão ou não a ser aplicadas, é procurar averiguar quais são os agricultores e as produções que estão a ser apoiadas, sublinhando que as candidaturas aos apoios do Governo devem ser menos burocráticas.

João Dinis considerou ainda que o aumento da rentabilidade florestal "é um fator estruturante", devendo, por isso, surgir medidas que vão ao encontro dessa situação, exemplificando que o preço atual da madeira "não provoca interesse económico".

Moçambique vai deixar de importar sementes para produção agrícola

21/11/2017, 12:01

Moçambique vai deixar de importar sementes básicas para a agricultura. A campanha arrancou há um mês pretende apostar na produção nacional.


Moçambique vai deixar de importar sementes básicas para a agricultura a partir da campanha 2017/2018, que arrancou há um mês, e apostar na produção nacional, noticia esta terça-feira a imprensa moçambicana. Segundo David Mariota, chefe do Departamento da Unidade de Semente Básica do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), a medida visa garantir que mais produtores tenham acesso a sementes e evitar custos de importação.

Para responder às necessidades, as autoridades moçambicanas vão dar condições a 42 empresas para a produção de sementes certificadas que vão abastecer os pequenos produtores agrícolas do país. Espera-se que, na atual campanha agrícola, as empresas especializadas forneçam cerca de 65 toneladas de sementes, num processo que vai dar prioridade aos cereais e leguminosas.


O IIAM prevê ainda disponibilizar 12 milhões de estacas de mandioca, duas mil ramas de batata-doce e quantidades por definir de sementes de hortícolas. A estratégia para abastecer os pequenos produtores conta com o apoio de vários parceiros, entre os quais a agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) e o Banco Mundial.

No total, de acordo com dados oficiais, Moçambique tem quatro milhões de produtores registados e a maioria está nas províncias da Zambézia e Nampula, centro e norte, respetivamente.

Nos próximos meses terá de chover quase tanto como a média anual



A barragem de Fagilde, em Mangualde, atingiu os mínimos históricos e teve de ser reabastecida por 40 camiões-cisterna dos bombeiros  |  NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA
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O território do continente tem hoje menos 200 mm de precipitação do que há 50 anos e os cenários de futuro não são animadores

Vem aí chuva, a partir de amanhã, mas as previsões do IPMA também mostram que ela não será suficiente para aliviar a seca extrema (o grau mais grave na escala) que afeta a quase totalidade do território continental (94%) - os 6% restantes estão em seca severa, logo abaixo.

"No mínimo dos mínimos era preciso que nos próximos meses tivéssemos uma precipitação de pelo menos 500 mm [milímetros] para desagravar a seca", estima o físico e especialista em alterações climáticas Filipe Duarte Santos. Para se ter uma ideia, isso corresponde a pouco menos do que a precipitação média anual na região de Lisboa, tomando como referência o período 1971-2000, que é da ordem dos 600 a 800 mm. Mas, se isso vai acontecer, ou não, é uma incógnita.




Já se disse: esta é a seca mais grave desde que há registos meteorológicos sistemáticos em Portugal, ou seja, desde 1931. Mas, ao contrário do que aconteceu em todas as secas anteriores, que acabaram por desaparecer com as chuvas de outono, esta tem uma particularidade única: o outono entrou seco e assim se tem mantido. As contas são do IPMA: outubro teve uma precipitação 70% inferior ao normal e, até agora, novembro está a seguir o mesmo padrão, até um pouco agravado, e já vai em menos 76% de precipitação, quando se compara com as médias de novembro para o período de referência 1971-2000.

Os valores médios anuais da chuva em Portugal Continental rondam os 900 mm, considerando o mesmo período de referência, mas a distribuição geográfica da pluviosidade é muito assimétrica. Anda entre os 1800 mm anuais no extremo máximo, na zona mais alta da Serra do Gerês, no Minho, e os 500 mm anuais, no extremo mínimo, na zona de Mértola, no Baixo Alentejo. Já para Lisboa, a média ronda os 600 a 800 mm, e no Porto é um pouco mais: mil a 1100 mm.

Os registos meteorológicos mostram, no entanto, uma tendência de redução da precipitação, que já dura desde 1960, e que tem progredido à razão de 40 mm por década. Ou seja, "no último meio século, Portugal perdeu cerca de 200 mm da sua precipitação anual, o que é um valor significativo", explica Filipe Duarte Santos.

Ou seja, as secas estão a agravar -se. E se continuar a não chover nos próximos meses, esta vai agravar-se mais ainda. "Terá inevitavelmente impacto económico, nomeadamente no aumento do preço dos produtos agrícolas, ou no setor da cortiça, porque já há muitas árvores a morrer no montado", estima o especialista. "É essencial contabilizar os prejuízos desta seca, para se perceber quanto custa ao país, porque sem esses dados é muito difícil fazer a adaptação necessária às alterações climáticas". Essa adaptação também tem custos, mas representam ganhos a prazo. Os prejuízos são apenas isso.

Até mais 11 secas entre 2070 a 2100

Em 2002, quando o grupo de Filipe Duarte Santos publicou os resultados do projeto SIAM, o primeiro estudo sobre as alterações climáticas em Portugal, as estimativas de aumento do número de secas e do agravamento da sua severidade já lá estavam, muito claras, para o final do século. Mas passaram apenas 15 anos e esta seca já se encaixa nessa tendência. "Eu próprio estou surpreendido, porque é muito rápido", confessa o especialista.

Para a bacia mediterrânica, os estudos indicam que a Península Ibérica é uma das regiões mais afetadas pelas alterações climáticas ao longo deste século, com redução da precipitação, aumento da temperatura e secas mais frequentes e mais severas. Num cenário de aumento de três graus da temperatura média do planeta até ao final do século - aquele para o qual caminhamos com as atuais emissões de gases com efeito de estufa - haverá entre mais quatro e sete secas no período 2041-2070 (por comparação com 1971-2000) e mais sete e 11 em 2071-2100.

Gestão da água mais eficiente e agricultura adaptada

Nesse cenário futuro - mesmo cumprindo o Acordo de Paris, com um aumento máximo da temperatura de dois graus, a chuva vai diminuir por cá -, a pergunta impõe-se: como vai ser com a água?

A resposta, essa, terá de passar necessariamente por uma gestão mais eficiente, talvez pela procura de fontes alternativas e, necessariamente, por adaptações na agricultura que é a grande campeã do consumo da água, com uma fatia de cerca de 75% do total.

"É necessária maior eficiência na distribuição da água e equacionar um plano de adaptação às alterações climáticas, que passa também por uma reavaliação dos sistemas existentes, para se planear melhor a distribuição local da água com prioridade ao consumo humano, e para evitar as perdas e desperdícios, que chegam aos 40% atualmente", diz Francisco Ferreira, professor da Universidade Nova de Lisboa e presidente da associação ambientalista Zero.

Luísa Schmidt, investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e coordenadora do Observa-Observatório de Ambiente, Território e Sociedade, concorda com a necessidade de gestão mais eficiente. "É importante regressar ao sistema de gestão de bacias hidrográficas, repondo as Administrações de Região Hidrográfica, que tinham uma gestão de proximidade eficiente, de monitorização em contínuo e era autossustentável, com a taxa de utilizador-pagador", afirma a socióloga.

Construir mais pequenas albufeiras poderá ser uma possibilidade, se a gestão eficiente não chegar num cenário climático mais grave, mas a agricultura é que terá mesmo de adaptar-se, nomeadamente "com novas tecnologias de rega de precisão, para evitar desperdício de água, e com a mudança de culturas para espécies autóctones que precisem de menos água", diz Luísa Schmidt.

André Silva, líder do PAN: “Pecuária e agricultura representam cerca de 75 a 80% do gasto de água” em Portugal


Gustavo Sampaio
Ontem 07:35

"Os ministros do Ambiente e da Agricultura falam unicamente do consumo doméstico, pois é politicamente mais seguro. Mas temos que ir pelo cientificamente mais correto," adverte o líder do PAN, em entrevista ao Jornal Económico. "As culturas em regadio desperdiçam 40% de água" e "todos os aquíferos e massas de água estão contaminados", denuncia.


Cristina Bernardo
O Governo acaba de lançar uma campanha de sensibilização para a poupança de água dirigida aos consumidores domésticos. Mas os setores da indústria e da agricultura são responsáveis por cerca de 80% do total de água doce consumida em Portugal. Como é que se explica este paradoxo de uma campanha que não se dirige aos grandes consumidores de água, onde o combate ao desperdício poderia realmente fazer a diferença e mitigar os efeitos da seca?

Por cegueira ideológica. A pecuária e a agricultura representam cerca de 75 a 80% do gasto de água do país e desconsiderar estes dados é omitir a verdade aos cidadãos. A força destes setores na política nacional é transversal a todos os partidos, da esquerda à direita, e isso vê-se factualmente na votação de subsídios a estas indústrias, em que o PAN é o único partido a votar contra. Somos o único partido em Portugal que é contra o uso de dinheiros públicos para financiar indústrias privadas, que operam numa economia de mercado livre e que têm profundos impactos no ambiente. Os cidadãos, sem saberem, e o Estado, conscientemente, estão a pagar duas vezes para poluir. Uma quando não internalizamos os custos reais dos bens que emanam destas indústrias e outra quando financiamos, privilegiamos ou isentamos fiscalmente estas indústrias com desastrosas políticas públicas. Não podemos esquecer que, recentemente, o Governo anunciou que conseguiu financiamento europeu, cerca de 400 milhões de euros, para concretizar o Plano Nacional de Regadio. Sendo que as culturas em regadio desperdiçam 40% de água, podemos já antever que cerca de 160 milhões de euros irão, diretamente, para o lixo. Em paralelo, também não é dito nestas campanhas que o uso urbano, o que menos gasta, continua a ser o grande financiador da Taxa de Recursos Hídricos, em cerca de 60%. As justificações do ministro da Agricultura centram-se na possível perda de competitividade do setor se aumentarmos as taxas, ou seja, mais uma vez o ambiente está subjugado à economia e não o inverso.

 

Mesmo que essa campanha tenha algum sucesso, levando a uma redução do consumo doméstico de água, o problema da seca vai manter-se ou agravar-se, na medida em que será uma redução ínfima no total de água consumida. Porque é que o ministro do Ambiente insiste em apelar à poupança de água pelos consumidores domésticos, por vezes num tom moralista, como se fossem os principais responsáveis pela escassez de água no país?

Segundo a organização World Wildlife Fund (WWF), Portugal é o 6º país do Mundo com a maior pegada hídrica e, pese embora a importância de todas as ações para mitigar os efeitos da seca no país, cremos que a aposta deveria centrar-se em alertar para os impactos destas indústrias. Não só nas nossas reservas e massas de água, como também na destruição dos nossos solos e da nossa biodiversidade. Os ministros do Ambiente e da Agricultura falam unicamente do consumo doméstico, pois é politicamente mais seguro. Mas temos que ir pelo cientificamente mais correto. No PAN consideramos que os cidadãos devem ter o máximo de informação, pois só assim poderão fazer escolhas mais conscientes. A ciência deve guiar as opções políticas do país e não a demagogia, logo devemos aceitar os factos, compreender estruturalmente os problemas e apresentar soluções viáveis e de longo prazo.

 

"Para compreendermos os impactos da pecuária não a podemos separar da agricultura intensiva, pois uma não subsiste sem a outra. Em Portugal, e segundo a Agência Portuguesa do Ambiente, todos os aquíferos e massas de água estão contaminados. Contaminação esta que decorre do uso intensivo e abusivo de pesticidas e agrotóxicos na nossa agricultura."
 

Fechar a torneira durante um minuto por dia, como se apela na campanha, fará alguma diferença? O problema da seca e da escassez de água poderá alguma vez ser resolvido, ou sequer mitigado, apenas com pequenos atos de poupança dos consumidores domésticos? E como é que a água poupada nos grandes centros urbanos, onde se concentram os consumidores domésticos, poderá depois servir as populações do interior mais afetadas pela seca? Vai ser transportada por camiões ou comboios?

Todos os atos são importantes. A campanha peca por não incluir mais dados. Por exemplo, qual seria o impacto na comunidade se os cidadãos soubessem que para produzir um quilograma de carne de vaca são precisos cerca de 15.000 litros de água potável? Ou seja, um quilograma de carne representa 620 duches de cinco minutos ou o equivalente a 20 meses de duches diários? Esperamos que as próximas infografias do Governo contemplem estes dados. Temos a certeza de que cidadãos informados são cidadãos mais conscientes e, por tal, continuaremos a trabalhar para que haja do Estado uma atitude responsável e realmente estrutural no que concerne à gestão sustentável e a longo prazo dos recursos hídricos em Portugal.

 

Em recentes intervenções no Parlamento apontou o dedo à indústria agropecuária como uma das principais responsáveis pela seca que assola o país. Que dados é que tem sobre o impacto dessa indústria ao nível da seca? Que percentagem de água é que consome? E que efeitos de poluição é que gera?

É difícil separar os dados provenientes meramente do setor da pecuária em Portugal, pois estes estão incluídos na Agricultura. Porém, para termos uma perceção do seu impacto nas emissões com gases de efeito de estufa, tendo em conta o Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas (NIR) de 2016, no setor agrícola verificou-se um aumento de 2.5% das emissões em 2014. Isto deveu-se à componente da produção animal, em especial ao aumento na produtividade das vacas leiteiras nos Açores, mas também ao aumento das populações de suínos e bovinos e ao abate mais tardio dos ovinos. Ao nível internacional, e segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a pecuária é responsável por cerca de 40% das emissões provenientes da agricultura. Se relacionarmos estes dados ao uso generalizado e massivo de água na pecuária percebemos a escala do gasto de água que esta indústria tem. Para compreendermos os impactos da pecuária não a podemos separar da agricultura intensiva, pois uma não subsiste sem a outra. Em Portugal, e segundo a Agência Portuguesa do Ambiente, todos os aquíferos e massas de água estão contaminados. Contaminação esta que decorre do uso intensivo e abusivo de pesticidas e agrotóxicos na nossa agricultura. Esta é maioritariamente para alimentar gado. Em paralelo, as indústrias pecuárias operam numa quase total impunidade no que toca a descargas de poluentes nas massas de água em Portugal, como se pode ver pelos exemplos dos rios, altamente contaminados e poluídos, do Tejo e do Lis. Para contextualizar, na região de Leiria, o setor da suinicultura produz diariamente cerca de 2.500 m3 de efluentes tóxicos e na ETAR Norte são tratados 700 m3 por dia. Aqui, tal como na maioria da economia agrícola e pecuária em Portugal, o racional é o contrário. Primeiro licencia-se e produz-se e só depois nos preocupamos com os impactos ambientais.

 

"O Governo deve ter uma ação mais transparente e informar os cidadãos sobre o enorme impacto que as suas escolhas alimentares podem representar para os ecossistemas, a atual forma de produção de alimentos é insustentável. Envolve também a proteção legal e eficaz de todas as nossas massas de água, nomeadamente os aquíferos e rios de Portugal, através de um controle mais eficaz de indústrias altamente poluentes."
 

Em média, estima-se que um campo de golfe com 18 buracos consome entre 1,5 e 2 milhões de litros de água por dia. Todos os dias. Em Portugal há pelo menos 91 campos de golfe activos. Estimativa global: consomem entre 136 e 182 milhões de litros de água por dia. Todos os dias. Porque é que o Governo não restringe o consumo de água dos campos de golfe, tendo em conta a situação de seca extrema no país? E esse consumo dos campos de golfe é contabilizado como "doméstico", "indústria" ou "agricultura"?

Por motivos ideológicos, mais uma vez. Assistimos mais uma vez à subjugação do ambiente pela economia. O golfe é um ativo turístico muito presente em todos os governos portugueses. Segundo o Ministério da Economia, que tutela o Turismo, o setor cresce anualmente 7%, o que implica mais dormidas, mais viagens, mais consumo interno. Acresce, pelo dados do Conselho Nacional da Indústria de Golfe (CNIG), que esta indústria gera 120 milhões de euros anuais. Estes dados mostram o peso e a importância deste setor no Turismo, na economia nacional. Mesmo sabendo que existe um "Manual de Boas Práticas Ambientais para Campos de Golfe", criado em 2009, não podemos deixar de sublinhar que este desporto traz profundos desequilíbrios na gestão hídrica. Não obstante o setor onde se insere o golfe, cremos que as soluções para este desperdício de água devem partir de uma abordagem multifactorial. E caso não se consiga restringir o uso deste bem neste desporto, poderiam ser usadas águas residuais tratadas para as regas.

 

Na sua perspetiva, quais é que deveriam ser as prioridades do Governo para mitigar os efeitos da seca? E que medidas deveriam ser tomadas, no futuro, para prevenir as situações de seca extrema que deverão tornar-se recorrentes, atendendo aos efeitos do aquecimento global?

A visão tem que ser integrada e a longo prazo. Passa por um reforço da campanha de sensibilização, para o consumo doméstico mas incindindo sobretudo no impacto que a agricultura e a pecuária intensiva têm nos nossos recursos hídricos. O Governo deve ter uma ação mais transparente e informar os cidadãos sobre o enorme impacto que as suas escolhas alimentares podem representar para os ecossistemas, a atual forma de produção de alimentos é insustentável. Envolve também a proteção legal e eficaz de todas as nossas massas de água, nomeadamente os aquíferos e rios de Portugal, através de um controle mais eficaz de indústrias altamente poluentes como a da celulose, de monoculturas agrícolas agrotóxicas, tal como da indústria pecuária. Também é fulcral deixarmos de isentar, subsidiar e investir nestas indústrias, alocando estes recursos para a expansão e implementação do Plano Nacional para a Agricultura Biológica. A balança comercial nesta fileira é deficitária e muitos destes produtos são importados. Esta oportunidade de redirecionamento destes fundos públicos trariam um alavancar das nossas exportações e diminuiriam o peso das importações. Trariam também consideráveis benefícios aos nossos solos e às nossas massas de água. Importa também priorizar a reforma da floresta com uma visão a longo prazo que privilegie espécies florestais autóctones, nomeadamente carvalhos, sobreiros e outras folhosas, em detrimento do eucalipto e do pinheiro, tal como a produção de biomassa, fundamental para a retenção e captação de água.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Nem tudo a seca afetou: teremos bom vinho e kiwi atinge maior produção de sempre


Sónia Bexiga
Ontem 12:22
As mais recentes previsões agrícolas, lançadas agora pelo INE, revelam que as culturas de regadio apresentam bons níveis de produtividade e aumentos de produção nas fruteiras, amendoais, vinha e olival.


As previsões agrícolas do Instituto Nacional de Estatística (INE), agora conhecidas, salientam que o tempo quente e seco não comprometeu a campanha nos pomares de pomóideas: a produção de maçã deverá atingir as 300 mil toneladas, enquanto a de pera rondará as 165 mil toneladas (+25% e +20%, face a 2016, respetivamente).

No kiwi, a floração e o vingamento dos frutos decorreram favoravelmente, e a entrada em plena produção de novos pomares foi decisiva para a produção recorde de 31 mil toneladas.

A produção de amêndoa também deverá atingir níveis que já não eram alcançados há muitos anos (+282%, quando comparada com a média dos últimos cinco anos).

As vindimas decorreram sem incidentes, observando-se um aumento da produção de vinho (+10%, face a 2016) que, a julgar pelo estado das uvas vinificadas, deverá ser de qualidade superior.

Quanto aos olivais, e apesar da seca, a produção deverá ser próxima da normal, com os olivais intensivos a compensarem a menor produtividade dos tradicionais. Em contraciclo encontram-se os soutos, claramente afetados pela falta de precipitação, prevendo-se uma redução de 15% face à campanha anterior, com castanhas de menor calibre.

Nas culturas temporárias de primavera/verão destaca-se o tomate para a indústria, que aumentou a produção para os 1,68 milhões de toneladas, apesar do registo de problemas fitossanitários que dificultaram a maturação.

No arroz, a falta de água disponível na bacia hidrográfica do Sado conduziu a uma diminuição da área semeada, com implicações na produção alcançada (10% inferior à média 2012-2016).

Precipitação escassa compromete disponibilidades forrageiras e adia sementeiras

A falta de chuva continua a atrasar o início de ciclo das pastagens de sequeiro, que apresentam reduzida disponibilidade forrageira, registando-se um aumento significativo da suplementação dos efetivos pecuários. Com efeito, e duma forma generalizada, a alimentação dos efetivos está a ser realizada com recurso a alimentos conservados que, em condições normais, estariam armazenados para fazer face à paragem de crescimento característica das pastagens mediterrânicas durante o inverno.

Este facto, aliado à dificuldade de instalação das culturas forrageiras (que naturalmente implicará um atraso na disponibilização de matéria verde), conduzirá a um prolongamento do período de suplementação, com um acréscimo significativo dos custos para as explorações pecuárias. De notar ainda que nas zonas afetadas pelos incêndios de 15 de outubro (onde morreram mais de 6 mil ovinos e caprinos, mais de mil bovinos e mais de 1,5 mil suínos3 ), a situação é ainda mais grave, dado que uma quantidade significativa de palhas e fenos armazenados foi destruída.

Combate aos incêndios: 2017 é o segundo ano mais severo dos últimos 15


Sónia Bexiga
Ontem 12:41

Na sequência da particular gravidade dos incêndios rurais ocorridos em 2017, o INE avança com uma estimativa da área afetada por ocupação cultural, baseada no cruzamento da cartografia de áreas ardidas.


No âmbito das previsões agrícolas agora avançadas, o Instituto Nacional de Estatística (INE) apresenta ainda uma breve análise sobre a severidade das condições meteorológicas e do estado dos combustíveis. A informação de contexto tem por base a análise do IPMA sobre o indicador "taxa de severidade diária (DSR)".

Numa série de 15 anos (2003-2017), a severidade acumulada desde 1 de janeiro a 31 de outubro, se evidencia o ano de 2005 como o mais gravoso desta série de anos e o ano de 2017 como o segundo mais gravoso.

A taxa de severidade diária (DSR) acumulada ao longo de uma época traduz a severidade das condições meteorológicas e do estado dos combustíveis relativamente ao combate a incêndios florestais nessa época.

Embora esta avaliação desde o início do ano dê uma boa indicação sobre a severidade das condições meteorológicas e do estado dos combustíveis para o combate aos incêndios florestais, os valores acumulados do DSR em períodos mais curtos, por exemplo mensais, é um indicador da intensificação desta severidade.

Os anos com a maior variação mensal, para esta série de anos, foram 2005 para o mês de janeiro, 2012 para fevereiro e março, 2017 para abril, 2006 para maio, 2005 para junho, julho e agosto e 2017 para setembro e outubro, facto que explica o aumento da adversidade para o combate aos incêndios nestes últimos dois meses.

Área ardida por ocupação cultural: olival foi o mais afetado

Na sequência da particular gravidade dos incêndios rurais ocorridos em 2017, o INE avança com uma estimativa da área afetada por ocupação cultural, baseada no cruzamento da cartografia de áreas ardidas produzida pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) em 18 de outubro com o Sistema de Identificação de Parcelas (SIP) do Instituto de Financiamento de Agricultura e Florestas (IFAP) (classificação das ocupações do solo).

A área afetada atingiu um vasto número de parcelas, correspondente a cerca de meio milhão de hectares (507,4 mil hectares). A análise da ocupação cultural das parcelas ardidas aponta para uma área de 8,8 mil hectares de olival, 2,8 mil hectares de vinha e 2,4 mil hectares de culturas frutícolas. De acordo com o ICNF, 47% da área ardida estava ocupada por povoamentos florestais .

Calor e seca não prejudicam maçã e vinho mas trazem castanhas "de menor calibre"


As previsões agrícolas do INE estimam que apesar do calor e da seca registados em 2017, as produções de maçã, amêndoa vinho e azeite não foram afectadas. Já a produção de castanhas e arroz é prejudicada pela seca.


David Santiago David Santiago dsantiago@negocios.pt
20 de novembro de 2017 às 12:42

O calor e a seca que fizeram de Outubro um mês "extremamente seco e excepcionalmente quente", o mais quente dos últimos 87 anos a exemplo do que já havia sucedido com o mês de Setembro, prejudicaram a produção de castanha e arroz mas não impactaram negativamente a produção de frutos e vinho.

O relatório divulgado esta segunda-feira, 20 de Novembro, em que o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) faz as mais recentes previsões agrícolas, mostra que houve várias culturas que não foram prejudicadas pelos efeitos climatéricos adversos. Em resumo, em 2017 registam-se aumentos em comparação com o período homólogo na produção de maçã (+25%), pêra (+20%), milho e tomate (+5%), amêndoa (+255%) e vinho (+10%).

Apesar da seca, a produção de frutos está a ter um bom ano. Além da maior produção de sempre de kiwi, a produção de maçã e pêra não foi afectada pela falta de precipitação, uma vez que, por exemplo, quatro quintos da área de produção de maçã é regada, diz o INE.

A apanha de maçã que decorreu essencialmente em Agosto e Setembro deverá levar a um aumento de produção para as 300 mil toneladas, o que corresponde a um aumento de 25% face ao ano passado. O granizo que caiu em Julho e finais de Agosto fez com que, em especial nos pomares situados no Norte do país, parte da produção fosse desviada para a indústria.

Já a produção de pêra (pêra Rocha é a variedade predominante) deve aumentar 20% comparativamente com a última campanha, atingindo "valores próximos da média do quinquénio", embora muito abaixo dos níveis registados em 2013 e 2014, salienta o INE.

O aumento de produtividade nas produções de kiwi face a 2016 bem como a entrada em plena produção de plantações mais recentes, fazem com que este fruto registe a maior produção de sempre, superando pela primeira vez as 30 mil toneladas.

Também a colheita de tomate, que terminou na primeira semana do mês passado, não foi penalizada com a produção a crescer 5% relativamente ao ano passado para os 1,68 milhões de toneladas, o que se verificou apesar dos "fortes ataques de mosca branca e de ácaros" ocorridos na fase final da campanha.

O INE antecipa ainda um "bom ano vinícola", também proporcionado pelo facto de as vindimas terem decorrido com tempo seco, "condição fundamental para a obtenção de vinhos de qualidade".

Apesar de a falta de humidade e das elevadas temperaturas terem provocado "algum engelhamento nos bagos", o "elevado número de cachos e de bagos por cacho" e a reduzida incidência das principais doenças que afectam esta produção, verificou-se um aumento de 10% na produção de vinho comparativamente com o período homólogo.

Já a produção média de azeite aproximou-se da média dos últimos cinco anos, devendo subir ligeiros 1%.
Enquanto a produção de milho beneficiou dos "dias quentes e secos" para garantir um crescimento de 5%, a produção de amêndoa deverá superar as 20 mil toneladas, mais 255% do que em 2016, no que representa uma "situação inédita neste século".
 
Castanha e arroz afectados por calor e seca

Pelo contrário, o clima prejudicou bastante a cultura da castanha, sendo 2017 um ano com "menos castanha e de qualidade inferior" .

"Os castanheiros instalados em solos com menor capacidade de retenção de água apresentam sinais de grande stress hídrico, com situações extremas de morte de árvores. A castanha mais temporã, que já foi colhida, apresentou calibres reduzidos e miolo desidratado, com fraco poder de conservação e por vezes bichado. 

Apesar de ainda existirem muitos ouriços que não abriram, estima-se que o número de frutos que completem o desenvolvimento normal seja inferior ao habitual", explica o INE que assim nota que se estima uma "redução de 15% da produção face à campanha anterior".

Também o arroz foi fortemente prejudicado pela seca, uma vez que "a falta de água disponível na bacia hidrográfica do Sado", o que levou à diminuição da área semeada, contribuindo para uma quebra de 10% na produção face à média do período compreendido entre 2012 e 2016.
 
O INE lembra ainda que "a falta de chuva continua a atrasar o início de ciclo das pastagens de sequeiro, que apresentam reduzida disponibilidade forrageira, registando-se um aumento significativo da suplementação dos efectivos pecuários".

Bosch entra no negócio da agricultura inteligente em Portugal


Nuno Miguel Silva
Ontem 07:25

A multinacional alemã Bosch decidiu entrar numa nova área de negócio, a agricultura inteligente (smart agriculture).


O responsável da Bosch Portugal por esta nova área, João Teixeira, explica ao Jornal Económico os objetivos do grupo para o mercado interno e sublinha que este segmento de atividade deverá duplicar de faturação a nível global nos próximos anos. As novas soluções propostas pela Bosch para a agricultura em Portugal podem ser aproveitadas pelas culturas de frutos vermelhos, flores de corte, tomates, vinhas, olivais e outras explorações de estufas. As novidades da Bosch foram apresentadas ontem na TecFresh, em Santarém, e permitem aos agricultores, com o seu smartfone, a partir do sofá, controlar o cultivo das suas espécies através de um sistema sofisticado de monitorização das culturas.

Como se vai designar esta nova área de negócio da Bosch?
As soluções Bosch para a agricultura inteligente e conectada estão a ser desenvolvidas pela Deepfield Connect, uma start-up da Bosch.

A entrada do grupo nesta nova área de negócio em Portugal está a ser feita em simultâneo com outros mercados em que a empresa está presente ou existe algum desfasamento?
A Bosch começou a introduzir soluções para a agricultura no mercado em 2015. Como é norma no grupo, a entrada em Portugal acontece de forma estratégica e sustentável, num momento em que as soluções já têm um posicionamento no mercado e já estão a gerar mais de mil milhões de euros em vendas.

Porquê a aposta da Bosch nesta nova área de negócio em Portugal?
O mercado da tecnologia de apoio à agricultura está a crescer em todo o mundo. A Bosch usa o seu extenso know-how para aplicar a IoT [internet das coisas] a esta área de negócio e permitir que os agricultores utilizem sensores para determinar a altura ideal para a colheita; consultem aplicações nos smartphones que os ajudam a medir a humidade, a temperatura dos solos; e utilizem tratores autónomos para trabalhar os campos. Desde os sistemas de motorização e soluções hidráulicas para a maquinaria aos produtos conectados, a empresa está a contribuir para tornar o trabalho dos agricultores mais eficaz e sustentável, e ao mesmo tempo está a conseguir tornar o negócio lucrativo.
A entrada no mercado português acontece de forma natural, num momento em que está a expandir o negócio em todo o mundo.

Quais as perspetivas de negócio desta nova área da Bosch em Portugal nos próximos anos?
Há estudos que indicam que o mercado global para a agricultura inteligente vai crescer de 3,5 para 6 mil milhões de euros. A Bosch prevê que o negócio continue a ter um desenvolvimento positivo. Na metade da próxima década, a empresa conta ter duplicado as suas vendas de tecnologias para a agricultura a nível global. Relativamente a Portugal, não há razões para acreditar que o mercado não aceite as soluções que começam agora a ser introduzidas.

Quais as especificidades do mercado português no setor agrícola para uma multinacional como a Bosch?
A Bosch acredita no potencial de Portugal e quer capacitar os agricultores do nosso país com as suas principais inovações na área.

As soluções desenhadas pela Bosch limitam-se aos frutos vermelhos ou são extensíveis a outras produções agrícolas?
As soluções da Bosch são extensíveis a vários tipo de cultura como as flores de corte, tomates, vinhas, olivais, entre outras explorações de estufas que temos em Portugal.

Existem outras inovações em estudo por parte da Bosch para o setor agrícola?
A Bosch é uma das poucas empresas com o know-how necessário em software, tecnologia de sensores e serviços para tornar a agricultura mais eficiente e sustentável. A empresa está a usar sensores MEMS para medir valores relativos à temperatura e humidade dos campos e transmiti-los para o smartphone dos agricultores através de uma cloud. Além disso, a Bosch Deepfield Connect acaba de apresentar um sistema de monitorização do leite que ajuda a garantir a qualidade do produto que chega ao consumidor. A empresa fornece sensores infravermelhos para os tanques nos quais o leite é armazenado. Estes sensores recolhem dados sobre a qualidade do produto, transmite para a cloud da Bosch que os processa e disponibiliza ao produtor através de uma aplicação no smartphone.

Cenário alimentar "é catastrófico" em Portugal e está a pôr em perigo o SNS



A bastonária dos nutricionistas, Alexandra Bento

"Portugal não tem sabido utilizar" os seus recursos "a bem da alimentação dos portugueses"

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, afirmou hoje que o cenário alimentar em Portugal "é catastrófico" e que os seus efeitos estão a pôr em perigo a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde.

Para a bastonária, "Portugal não tem sabido utilizar" os seus recursos "a bem da alimentação dos portugueses".

"Nós temos uma prodigiosa tradição alimentar, a alimentação mediterrânica, temos profissionais de saúde de excelência", nomeadamente os nutricionistas, "mas temos um cenário alimentar que é catastrófico e que está a perigar a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde", afirmou Alexandra Bento, que falava à agência Lusa a propósito do primeiro congresso da Ordem dos Nutricionistas, que decorre na terça e na quarta-feira, em Lisboa.


A bastonária diz que os portugueses estão a morrer devido aos erros na alimentação: "as doenças crónicas não transmissíveis são o cenário das doenças na atualidade, morremos de doenças cardiovasculares, morremos de diabetes, de cancro e todas elas muito relacionadas com os maus hábitos alimentares"

Alexandra Bento observou ainda que, apesar de nunca se ter ouvido tanto falar da importância da alimentação para a saúde, "crescem os mitos e os falsos conceitos à volta da alimentação saudável e equilibrada".

Por outro lado, apontou, estão acentuar-se as desigualdades sociais nesta matéria. "Quem tem mais escolaridade tem mais literacia alimentar e nutricional, alimenta-se melhor, logo tem melhor saúde".

E, pelo contrário, quem tem "menor escolaridade, menor nível sociocultural e económico, tem mais dificuldade de organizar a sua alimentação, logo vai ter uma saúde mais penosa", disse Alexandra Bento.

Sobre o congresso, com o tema "Um Compromisso para a Saúde", a bastonária considerou que "é um grande momento" para os nutricionistas e para os profissionais de saúde.

"A alimentação é uma temática incontornável se queremos mais saúde no nosso país e por isso formatámos este congresso com temas que consideramos que são fortíssimos", abrindo com um "grande painel" sobre "políticas públicas de saúde na área da alimentação".

O palco do evento é o Centro Cultural de Belém, onde são esperados mais de 500 participantes, entre especialistas nacionais e internacionais que irão debater questões como a moderna saúde pública, os conflitos entre a nutrição, a saúde e o setor alimentar, as atualidades em nutrição clínica, as reformas no SNS ou os caminhos da empregabilidade e a valorização da profissão de nutricionista.

O congresso não terá patrocínios, segundo a Ordem dos Nutricionistas, que pretende assim manter "a imparcialidade junto dos decisores políticos, dos organismos públicos e privados e da população em geral, dada a sua intervenção na definição de políticas na área da alimentação e nutrição".

"É óbvio que a colaboração entre nutricionistas e indústria leva a grandes progressos, tanto ao nível da inovação alimentar, como na promoção de uma melhor saúde. Mas é fundamental que esta relação esteja sempre patente e sujeita a total independência e isenção", sublinhou Alexandra Bento.

Reabilitação dos cursos de água após incêndios custa entre 35 e 50 milhões de euros


20/11/2017, 16:17

A reabilitação dos cursos de água nos concelhos afetados pelos incêndios, após 17 de junho, vai custar entre 35 e 50 milhões de euros, anunciou o secretário de Estado do Ambiente.


NUNO VEIGA/LUSA

A reabilitação dos cursos de água nos concelhos afetados pelos incêndios, após 17 de junho, vai custar entre 35 e 50 milhões de euros, anunciou o secretário de Estado do Ambiente.

Carlos Martins falava aos jornalistas nos Paços do Concelho de Figueiró dos Vinhos, à margem da cerimónia de assinatura dos protocolos para limpeza e reabilitação das linhas de água de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera, Góis, Pampilhosa da Serra, Penela e Sertã.

Estes sete municípios, nos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco, foram devastados pelos fogos de junho, que eclodiram em Pedrógão e Góis e causaram a morte de 64 pessoas e mais de 200 feridos.


Para os incêndios que ocorreram até ao início de setembro, mas já depois de 17 de junho, o Governo tem "uma primeira fase" de intervenção, na qual prevê gastar 6,2 milhões de euros, em 14 municípios do país.

Essa verba está incluída na estimativa dos 35 a 50 milhões necessários para desobstruir e recuperar as linhas de águas nos concelhos atingidos pelos fogos após meados de junho, incluindo os incêndios dos dias 15 e 16 de outubro, que começaram nos municípios de Lousã e Seia, nos distritos de Coimbra e Guarda.

Para já, com a colaboração das autarquias, o Ministério do Ambiente está a promover "um levantamento dos trabalhos a realizar até final de novembro", nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera, Góis, Pampilhosa da Serra, Penela e Sertã, disse aos jornalistas o secretário de Estado do Ambiente.

"Este é um trabalho de grande dimensão" em que, através do Fundo Ambiental, serão aplicados 4,2 milhões de euros, referiu.

Segundo Carlos Martins, "as medidas de prioridade máxima", no âmbito dos protocolos hoje assinados, terão de ser concretizadas até 31 de dezembro.

No futuro, este conjunto de intervenções "muito nos pode ajudar" face às alterações climáticas, afirmou durante a sua intervenção na cerimónia.

As obras deverão minimizar "os riscos de obstrução das linhas de água, de destruição de infraestruturas e de inundações", de acordo com uma nota do gabinete do ministro do Ambiente, João Matos Fernandes.

"Que não se perca nem mais um dia", defendeu Carlos Martins esta segunda-feira, realçando a necessidade de maior vigilância nos próximos meses, designadamente da parte dos municípios relativamente às "captações superficiais" de água para consumo humano.

Para o presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, Jorge Abreu, as medidas a concretizar ao abrigo do Fundo Ambiental constituem "mais um passo" para responder às "necessidades" daqueles territórios após os incêndios.

"É crucial que estas medidas venham para o terreno", sublinhou o autarca do PS.

José Martino avalia agricultura na região transmontana



Consultor identifica tendências agrícolas

O vinho, o azeite, a amêndoa, a castanha, os pequenos frutos, a batata, a maçã, o pistácio, os cogumelos – todos estas culturas têm o seu espaço para um produtor poder lançar o seu negócio agrícola com sucesso.

Numa recente intervenção no Fórum Agrogarante, em Vila Real, o consultor e empresário agrícola José Martino elencou estas atividades agrícolas como exemplos concretos de bons negócios para os produtores que nelas considerem investir.
"As tendências na Região de Trás Os Montes no setor agroalimentar são várias. É preciso, para cada uma delas, ter um plano de negócio bem estruturado", defendeu José Martino.
No caso do vinho, "é preciso aumentar o valor acrescentado e controlar os custos de produção". Além disso, é necessário "promover a ligação do vinho ao turismo, assim como fomentar a cooperação entre produtores e agroindústria das várias regiões vitivinícolas para dar escala e baixar custos no acesso aos mercados internacionais".
Quanto ao azeite, José Martino defende a "criação de marcas de azeite nacional, a melhoria do regadio; caraterizar os olivais, ajustar a data ótima de colheita para se obter azeite da mais alta qualidade".
A amêndoa, "pode vir a ser um grande sucesso e um excelente negócio. Espero que a amêndoa caminhe na escala de valor encontrando segmentos de mercado específicos de valorização do produto e menos sensíveis às variações do preço ao longo do tempo".
No que respeita à castanha, "vista como o petróleo de Trás os Montes" , na opinião de José Martino "é preciso que se faça a valorização da castanha para além do descasque e da congelação".
Enquanto a batata, "tem que fugir da cultura tradicional de part-time e caminhar para algum profissionalismo, com integração vertical na fileira de valor acrescentado, integrando-a nas cadeias curtas de comercialização, ligando-a à gastronomia local ou regional que tira partido do turismo".
Por seu lado, a maçã "está a fazer o seu caminho na comercialização, na busca de valor acrescentado, tirando partido sobretudo do mercado espanhol. Há incremento do profissionalismo e das economias de escala".
Fazendo a agulha para outras atividades agrícolas com fortes investimentos nos últimos anos, José Martino referiu os pequenos frutos, defendendo que "o mirtilo tem mais interesse e futuro face a framboesas e groselhas". Enquanto que "a amora ficará dependente do aparecimento de novas variedades com melhor sabor e maior poder de conservação no pós colheita".
No caso dos cogumelos, "há aumento da procura de cogumelo industrial e oportunidade para duplicação do negócio seja nos players existentes, seja através de uma nova indústria de cogumelo branco". 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Alqueva cresce a partir de 2018 para garantir mais regadio e abastecimento público

17/11/2017, 16:50344

O alargamento do Alqueva arranca em 2018 e vai regar mais 50 mil hectares no Alentejo. Capoulas Santos anunciou esta quinta-feira que o investimento é de 210 milhões de euros.


A ampliação do Alqueva arranca em 2018 para regar mais 50 mil hectares no Alentejo e levar água para abastecimento público a mais cinco concelhos, num investimento de 210 milhões de euros, revelou esta quinta-feira o ministro da Agricultura.

O projeto Alqueva "foi dado como encerrado na sua atual dimensão de 120 mil hectares pelo Governo anterior" do PSD/CDS-PP, mas o atual Executivo PS vai ampliá-lo em mais 49.427 hectares, afirmou Luís Capoulas Santos, em entrevista à agência Lusa.


A ampliação do Alqueva avança no próximo ano e vai incluir, adiantou, "um vasto conjunto de obras" que o Governo quer ter concluído até 2022 para criar mais 49.427 hectares de regadio distribuídos por 13 novos blocos de rega, "espalhados um pouco por toda a região do Alentejo", sendo sete no distrito de Beja, cinco no de Évora e um no de Setúbal.

Além dos blocos de rega, a ampliação prevê também "um investimento muito importante" numa ligação para levar água do Alqueva aos concelhos de Castro Verde, Almodôvar e Ourique e parte dos de Odemira e Mértola, no distrito de Beja.

Trata-se da ligação da albufeira do Roxo, situada no concelho de Aljustrel (Beja), e que está ligada ao Alqueva e, se necessário, recebe água do projeto, à do Monte da Rocha, no concelho de Ourique e que é a fonte para abastecimento público daqueles cinco concelhos e para rega do aproveitamento hidroagrícola do Alto Sado.

No distrito de Beja vão ser construídos os blocos de rega de Messejana, no concelho de Aljustrel, Cabeça Gorda/Trindade (Beja), Cuba/Odivelas (Cuba), Póvoa de São Miguel/Amarela/Moura (Moura), Marmelar e de Vidigueira (Vidigueira) e de Vila Nova de São Bento (Serpa).

Mais a norte, no distrito de Évora, vão ser construídos os blocos de rega de Lucefécit/Capelins, no concelho de Alandroal, de Évora, Reguengos de Monsaraz e de Monsaraz e de Viana do Alentejo.

No litoral alnetejano e na área do distrito de Setúbal, vai ser construído o bloco de rega de Ermidas-Sado, no concelho de Santiago do Cacém.

Segundo o ministro da Agricultura, Florestas e do Desenvolvimento Rural, a ampliação do projeto do Alqueva enquadra-se no Plano Nacional de Regadios, que vai implicar um investimento global de 500 milhões de euros para requalificar regadios obsoletos ou construir novos regadios para beneficiar uma área total de 90 mil hectares.

Após 2.400 milhões de euros de investimento, 21 anos de obras e 15 a encher, Alqueva produz atualmente energia, reforça o abastecimento público de água no Alentejo, rega 120 mil hectares e vai ser ampliado para beneficiar mais 50 mil hectares.

O fecho das comportas da barragem ocorreu a 08 de fevereiro de 2002 e marcou o início do enchimento da albufeira, localizada no "coração" do Alentejo.

Na sua capacidade total de armazenamento, o Alqueva é o maior lago artificial da Europa, com uma área de 250 quilómetros quadrados e cerca de 1.160 quilómetros de margens.

Governo quer as celuloses a ajudar a gerir eucaliptais privados



17.11.2017 às 16h44

 
JOSÉ CARLOS CARVALHO
Em entrevista ao Expresso que será publicada este sábado, o secretário de Estado das Florestas defende que a indústria tem de ajudar o minifúndio onde vai buscar a matéria prima

Carla Tomás
CARLA TOMÁS
Uma das principais preocupações do secretário de Estado das Florestas, Miguel Freitas, "é o crescente aumento de área de eucaliptal abandonado ou mal gerido". Por isso, considera "crucial que a indústria não deixe a produção florestal à sua sorte, mas sim que se comprometa a aumentar o seu nível de intervenção na gestão e apoio técnico, como fez no passado".

Estas declarações constam da entrevista ao Expresso, que será publicada na edição em papel este sábado, e na qual o governante defende que "é preciso reconciliar a floresta com o país".

Questionado sobre como vai o Executivo refrear a corrida à eucaliptização, já que o novo regime só entra em vigor em fevereiro, Miguel Freitas esclarece que "o Governo aprovou esta semana um regime transitório para proibir o corte de pinheiro verde e a substituição por espécies como o eucalipto, contendo dessa forma novas áreas".

"O inventário florestal está atrasado", admite. Contudo defende que em cerca de 830 mil hectares de eucalipto em Portugal, "o aumento foi de cerca de 5 mil hectares, nos dois últimos anos". O novo regime, adianta, "prevê uma redução de cerca de 10 mil hectares nos próximos anos". A ideia é, "daqui a cinco anos, retirar dois hectares de eucalipto por cada hectare que for plantado em áreas de maior aptidão".

Star Wars na quinta: agricultores usam laser para espantar aves

Um novo espantalho hi-tech acaba de entrar na histórica luta entre aves e agricultores.
Star Wars na quinta: agricultores usam laser para espantar aves

19 de novembro de 2017 às 10:00

A Bird Control Group, uma empresa com sede na Holanda, está a vender nos EUA um laser que imita predadores para assustar os pássaros. O Agrilaser Autonomic é instalado perto de plantações e combina cores, filtros e lentes para produzir um raio laser esverdeado de 7,6 centímetros de diâmetro. As aves percebem o movimento de ida e volta do laser como um perigo físico, como um predador ou um carro que se aproxima, e instintivamente voam para longe à procura de segurança, explicou o CEO Steinar Henskes.
 
A empresa levou cerca de três anos para desenvolver "o melhor raio laser para espantar aves", disse Henskes. Cerca de 100 quintas dos EUA já adoptaram a tecnologia, utilizada há duas safras. A empresa calcula que este número poderá triplicar no ano que vem, revelou Henskes.



Desde que domesticou a agricultura, o ser humano enfrenta pragas voadoras ávidas por uma refeição rápida. Estorninhos e melros-pretos, em particular, são conhecidos por dizimarem hectares de frutas maduras. Um estudo de 2012 estimou que as aves provocaram 189 milhões de dólares em danos às plantações de mirtilo, cereja, uva e maçã Honeycrisp na Califórnia, no Michigan, em Nova Iorque, no Oregon e em Washington na colheita anterior. Os agricultores já usam uma série de ferramentas para deter os pássaros, incluindo redes, canhões, birutas, gravações de sons de aves em perigo e repelente.
 
Inteligência das aves
Ainda assim, mais inovação é necessária para que os pássaros fiquem longe das frutas, afirmou Jim O'Connell, educador sénior de recursos agrícolas da Cornell Cooperative Extension em Kingston, Nova Iorque. Os animais são persistentes e inteligentes quando se trata de conseguir alimentos e muitas vezes aprendem a diferença entre ameaças reais e falsas.
 
"As aves têm uma adaptação contínua, por isso é preciso mudar as coisas continuamente para estar sempre à frente", defendeu O'Connell, numa conversa ao telefone. "Se dermos alguma oportunidade, elas continuarão a voltar."
 
É aí que entra o laser para pássaros, que, segundo a Bird Control Group, é avançado o bastante para que os animais não consigam acostumar-se ou superar depois de algum tempo.
 
Isto representaria um alívio para agricultores como Mike Boylan, dono da Wrights Farm, em Gardiner, Nova Iorque. Há alguns anos, as aves consumiram uma plantação completa de cerejas numa área de 1,6 hectares.
 
"Não conseguimos chegar suficientemente depressa para espantar os pássaros", disse Boylan. "Foi uma má safra, os pássaros comeram tudo."
 
Boylan, que também cultiva mirtilos, usa redes para tentar proteger a fruta. O método é eficaz, mas se as redes tiverem pequenos buracos nalgum sítio, estes "pequenos filhos da mãe" encontram, disse.
 
Amanda Vance, assistente de research da Universidade do Estado do Oregon, disse que alguns agricultores estão a ter sucesso com o laser. Vance utilizou-o na última colheita em campos de pesquisa de mirtilos em combinação com o Bird Gard, que projecta sons de aves em perigo. Com o uso conjunto das ferramentas, o campo quase não perdeu frutas, disse.

Preço dos alimentos sobe há quatro meses


O preço das frutas está 2,7% mais alto do que há um ano, segundo o INE.

18.11.2017 / 10:50 

Encarecimento dos produtos pode não ser um efeito direto da seca, mas sim das importações. A seguir Portugal quer reforçar cooperação com Tunísia no turismo, ambiente e água 

Os bens alimentares estão mais caros do que no ano passado, com uma subida de 1,3%, em outubro, mesmo assim, abaixo dos 1,4% da taxa de inflação homóloga divulgada no início desta semana pelo Instituto Nacional de Estatística. Certo é que os preços deste tipo de produtos têm vindo a subir consecutivamente a cada mês, desde junho, face aos mesmos meses de 2016. 

Tirando as bebidas, os maiores aumentos anuais apurados em outubro para os bens agrícolas ocorreram nas frutas (+2,7%), nas hortícolas (1,96%), na carne (+ 1,69%) e no leite (1,32%). Para José Martino, consultor agrícola, a subida dos produtos alimentares não terá a ver diretamente com a seca, uma vez que "os preços não são feitos pela produção interna, mas sim, nos mercados internacionais". 

Considera que as importações (cresceram 8,2%, para 616,9 milhões de euros, em setembro) poderão ter um impacto mais relevante nessa subida. "A seca está a provocar muitos prejuízos nos produtores, mas os efeitos para os consumidores ainda não se notam", argumenta. 

De facto, nem todos os preços ao consumidor refletem os preços pago ao produtor, de acordo com os dados do INE até setembro (os de outubro vão ser atualizados na próxima segunda-feira). Na produção, houve uma subida no índice de preços, por exemplo, nos ovos (+28,5%), no azeite a granel (+19,4%) e nos ovinos e caprinos, mas uma queda nos hortícolas frescos (-8,9%), nos frutos (-7,6%) e nas aves de capoeira (- 1,7%).

Governo quer as celuloses a ajudar a gerir eucaliptais privados



17.11.2017 às 16h44

 
JOSÉ CARLOS CARVALHO
Em entrevista ao Expresso que será publicada este sábado, o secretário de Estado das Florestas defende que a indústria tem de ajudar o minifúndio onde vai buscar a matéria prima

Carla Tomás
CARLA TOMÁS
Uma das principais preocupações do secretário de Estado das Florestas, Miguel Freitas, "é o crescente aumento de área de eucaliptal abandonado ou mal gerido". Por isso, considera "crucial que a indústria não deixe a produção florestal à sua sorte, mas sim que se comprometa a aumentar o seu nível de intervenção na gestão e apoio técnico, como fez no passado".

Estas declarações constam da entrevista ao Expresso, que será publicada na edição em papel este sábado, e na qual o governante defende que "é preciso reconciliar a floresta com o país".

Questionado sobre como vai o Executivo refrear a corrida à eucaliptização, já que o novo regime só entra em vigor em fevereiro, Miguel Freitas esclarece que "o Governo aprovou esta semana um regime transitório para proibir o corte de pinheiro verde e a substituição por espécies como o eucalipto, contendo dessa forma novas áreas".

"O inventário florestal está atrasado", admite. Contudo defende que em cerca de 830 mil hectares de eucalipto em Portugal, "o aumento foi de cerca de 5 mil hectares, nos dois últimos anos". O novo regime, adianta, "prevê uma redução de cerca de 10 mil hectares nos próximos anos". A ideia é, "daqui a cinco anos, retirar dois hectares de eucalipto por cada hectare que for plantado em áreas de maior aptidão".

domingo, 19 de novembro de 2017

Governo aumenta défice para 1,1% devido ao impacto dos incêndios


Jornal Económico com Lusa
17 Nov 2017

"A nossa estimativa é que se prevê que o défice do próximo ano seja de 1,1%", em particular devido ao impacto das propostas relacionadas com o programa de combate e prevenção aos incêndios, disse Carlos César.


O PS vai apresentar um conjunto de propostas em respostas aos incêndios do centro do país que implicam 688 milhões de euros. O impacto nas contas públicas do próximo ano faz a meta do défice deslizar para 1,1%, ou seja mais uma décima do que o que estava previsto em consequência do impacto orçamental de medidas no valor de 119 milhões de euros para prevenção e combate a incêndios.

"A nossa estimativa é que se prevê que o défice do próximo ano seja de 1,1%", em particular devido ao impacto das propostas relacionadas com o programa de combate e prevenção aos incêndios, disse Carlos César, Presidente do Partido Socialista, em conferência de imprensa nesta sexta-feira, 17 de Novembro.

" O impacto global é de 688 milhões de euros. Desses 688 milhões de euros, as medidas novas já adoptadas pelo Conselho de Ministros totalizam 387 milhões e outros 301 milhões de euros já estavam previstos na proposta original".

Este dado foi transmitido em conferência de imprensa pelo líder da bancada socialista, Carlos César, na apresentação de "cerca de uma centena" de propostas de alteração do PS ao Orçamento do Estado para 2018.

Ladeado pelos seus vice-presidentes João Paulo Correia e João Galamba, o líder do Grupo Parlamentar socialista disse que, no conjunto de medidas de 688 milhões de euros previstas no âmbito dos programas em áreas relacionadas com a floresta e prevenção e combate a incêndios florestais, apenas haverá um impacto direto no défice do próximo ano na ordem dos 119 milhões de euros.

Esses 119 milhões de euros, especificou depois João Galamba, representará um acréscimo de um ponto percentual face à projeção de défice constante na proposta inicial do Governo de Orçamento do Estado para 2018.

PS avança com 186 milhões para financiamento de despesas com incêndios em 2018

As propostas de alteração ao OE têm de ser apresentadas hoje.

O PS propôs hoje, no âmbito do orçamento para 2018, uma dotação de 186 milhões de euros, que estará centralizada no Ministério das Finanças, para financiamento de despesas com indemnizações, apoios, prevenção e combate aos incêndios.

Esta é uma das propostas da bancada socialista de alteração ao Orçamento do Estado para 2018 em matéria de incêndios florestais, à qual a agência Lusa teve acesso, e que será debatida na fase de especialidade.

"É criada uma dotação centralizada no Ministério das Finanças, no valor global de 186 milhões de euros, dos quais 62 milhões de euros para aplicação em ativos financeiros, destinada ao financiamento de despesas com indemnizações, apoios, prevenção e combate aos incêndios", lê-se documento do Grupo Parlamentar do PS.

Esta dotação, de acordo com o PS, vai pagar "indemnizações decorrentes das mortes das vítimas dos incêndios florestais ocorridos em Portugal Continental, nos dias 17 a 24 de junho e 15 a 16 de outubro de 2017; e recuperar as áreas afetadas pelos incêndios de grandes dimensões ocorridos" nessas datas.

As verbas destinam-se também ao "programa de apoio à construção e reconstrução de habitações permanentes danificadas ou destruídas pelos incêndios de grandes dimensões que ocorreram no dia 15 de outubro de 2017", bem como à "comparticipação no programa de apoio à reposição dos equipamentos públicos municipais para os concelhos afetados pelos incêndios".

O montante em causa, acrescenta-se no documento da bancada socialista, visa igualmente suportar despesas com a "criação de instrumentos para a intervenção pública na gestão ativa da floresta e na estabilização dos mercados de produtos florestais", assim como com a formação da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais e do Laboratório Colaborativo.

Nesta dotação, estão ainda incluídas as verbas a aplicar na criação de "mecanismos de redundância" na rede SIRESP (Rede de Emergência de Comunicações do Estado).

No diploma da bancada do PS, prevê-se igualmente uma linha de crédito de 46 milhões de euros com o objetivo "exclusivo de aplicação em subvenções reembolsáveis aos municípios para despesas com as redes secundárias de faixas de gestão de combustível".

Se este diploma for aprovado em sede de especialidade, o Governo fica também autorizado "a proceder às alterações orçamentais decorrentes da afetação da dotação centralizada no Ministério das Finanças, independentemente de envolverem diferentes programas".

PS quer transferir até 100 milhões do IAPMEI para empresas atingidas pelos fogos

Hoje, segundo a Lusa, o PS disse pretende que uma verba de 100 milhões de euros do IAPMEI, que resulta de reembolsos de incentivos comunitários, transite para 2018 e seja aplicada no financiamento do sistema das empresas atingidas pelos incêndios florestais.

Este é um dos principais diplomas do pacote da bancada do PS destinado à prevenção e combate aos incêndios florestais, ao qual a agência Lusa teve acesso, e que será hoje entregue na Assembleia da República no âmbito do debate na especialidade do Orçamento do Estado para 2018.

Em matéria de apoio às empresas afetadas pelos incêndios, o Grupo Parlamentar do PS avança com uma proposta para que "os saldos de gerência do IAPMEI (Agência para a Competitividade e Inovação) resultantes de reembolsos de incentivos de quadros comunitários já encerrados transitem para 2018".

Essa verba, até 100 milhões de euros, segundo a estimativa apresentada pelo PS, deve ser aplicada "no financiamento do Sistema de Apoio à Reposição da Competitividade e Capacidades Produtivas" – entidade que resulta do decreto do executivo do passado dia 3 deste mês e que visa apoiar as empresas afetadas pelos incêndios, assim como financiar os custos da linha de crédito de apoio à tesouraria dessas firmas atingidas.

No âmbito das suas propostas de alteração ao Orçamento do próximo ano, o PS pretende também que o executivo assuma o compromisso de abrir concursos no âmbito do Portugal 2020, "com dotação até 80 milhões de euros", para apoiar projetos de investimento produtivo empresarial geradores de emprego nas regiões afetadas pelos incêndios.

A bancada socialista avança ainda com um diploma em matéria de fundos europeus para a recuperação das infraestruturas municipais das áreas atingidas pelos fogos.

Por este diploma, o PS quer que o Governo se comprometa a financiar e executar no próximo ano, "com apoio de fundos europeus estruturais e de solidariedade, no montante de 35 milhões de euros, medidas de reposição dos equipamentos públicos municipais para os concelhos afetados pelos incêndios".

Entre as propostas de alteração ao Orçamento para 2018, igualmente no domínio da prevenção e combate aos incêndios, o PS avança com uma medida de ordem programática destinada a "mobilizar e executar fundos na área da floresta"

"O Governo deve estabelecer como objetivo em 2018 executar 135 milhões de euros do Portugal 2020 em medidas de apoio à floresta, designadamente para ações de florestação e de reflorestação e de estabilização de emergência florestal pós incêndio, para minimização do risco de erosão", lê-se no texto dessa proposta da bancada socialista.

(atualizada)

sábado, 18 de novembro de 2017

PSD quer que venda de madeira queimada deixe de pagar IRS

Os social-democratas propõem que a venda de madeira queimada até 50 mil euros fique isenta de pagamento de IRS neste ano e no próximo, para apoiar os agricultores nessas zonas.

PSD quer que venda de madeira queimada deixe de pagar IRS

Bruno Simões Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt
17 de novembro de 2017 às 21:29

Depois dos incêndios que varreram o país este Verão, e que "deixaram um rasto de devastação e de prejuízos em zonas já por si bastante debilitadas", o PSD quer que o Governo tome medidas que apoiem os "pequenos produtores agrícolas das zonas afectadas pelos incêndios florestais", até porque se trata de "concelhos predominantemente agrícolas", onde "muitos pequenos agricultores foram afectados de uma forma que põe em causa a continuidade das suas explorações".
 
Assim sendo, o PSD propõe a isenção do "pagamento de IRS dos rendimentos provenientes da venda de madeira queimada nos concelhos afectados pelos incêndios florestais ocorridos em 2017". Em concreto, os social-democratas querem que fique isento de IRS o "rendimento gerado nos exercícios de 2017 e 2018 por vendas de madeira queimada pelos incêndios ocorridos em território nacional no ano de 2017".
 
A isenção será válida para as "vendas até ao limite de 50 mil euros anuais".
 
Sempre que há grandes incêndios, os proveitos de quem se dedica à venda de madeira aumentam exponencialmente. Na Mata Nacional de Leiria, por exemplo, os rendimentos anuais a rondar o milhão de euros mais que duplicaram nos anos seguintes ao grande incêndio de 2003.

Associação de vítimas dos incêndios mandatada para avançar judicialmente contra o Estado


Jornal Económico com Lusa
00:04

Segundo o presidente da associação, as medidas que estão no terreno "são injustas e discriminatórias e distinguem as pessoas como portugueses de segunda e de terceira".

A Associação das Vítimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal, criada no distrito de Coimbra, está mandatada para avançar com uma ação coletiva contra o Estado se o Governo insistir em "medidas de apoio discriminatórias".

"Vamos encetar um diálogo com o Governo e se a resposta não for positiva, em situação de igualdade nos apoios à agricultura e às empresas relativamente a Pedrógão Grande, não tenho dúvida nenhuma de que avançamos" com a ação, disse à agência Lusa o presidente da associação sediada em Oliveira do Hospital, Luís Lagos.

Criada após os fogos de 15 de outubro, que mataram 45 pessoas na região Centro, a Associação das Vítimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal, reunida hoje à noite em assembleia-geral, defendeu também a "desburocratização do apoio até 5.000 euros" para os pequenos agricultores.

Segundo Luís Lagos, as medidas tomadas pelo Governo que estão no terreno "são injustas e discriminatórias e distinguem as pessoas como portugueses de segunda e de terceira".

"Na indústria, o apoio é inferior ao atribuído na tragédia de há cinco meses atrás [Pedrógão Grande] e não há argumento nenhum que o justifique, porque há concelhos que foram atingidos em junho e agora, como é o caso da Pampilhosa da Serra", salientou.

O empresário e dirigente associativo questionou "qual o argumento para que uma empresa da Pampilhosa da Serra merecer agora um apoio inferior àquele que mereceu outra empresa na mesma Pampilhosa da Serra há cinco meses atrás".

"Porque é que a agricultura há de merecer um apoio inferior ao comércio e indústria? Não faz sentido nenhum, ninguém entende isso e, portanto, a nossa base negocial está aqui, de repor uma situação de igualdade no mesmo país", sublinhou Luís Lagos.

Para o presidente da Associação das Vítimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal, "não faz sentido" que não haja "o mesmo apoio", pelo que vão ser já solicitadas audiências ao Governo, Presidente da República e partidos com representação parlamentar.

Caso as respostas não sejam positivas, Luís Lagos considerou que só resta uma alternativa à associação, que "é retirar o poder negocial ao Governo".

"Se o Governo não quer negociar, não quer falar, então retiramos-lhe a decisão e entregamo-la aos tribunais", frisou, acrescentando que já há um pedido para se nomear uma comissão técnica independente para avaliar estes fogos e também já se percebeu que em Pedrógão Grande os fogos aconteceram por incúria do Estado e aqui não temos dúvida de que o resultado será precisamente o mesmo", acrescentou.

A Associação das Vítimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal, constituída em Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra, propõe-se combater a interioridade e defender o mundo rural.

A associação conta com cerca de 300 associados, entre cidadãos e empresários dos vários concelhos afetados pelos incêndios de 15 de outubro, que, no distrito de Coimbra, causaram 24 mortos.

"Temos de fazer com que uma tragédia destas nunca mais aconteça e que o Estado assuma as suas responsabilidades, porque o que se passou foi incúria de vários governos", disse à agência Lusa, na altura, Luís Lagos.

Plano de Regadios é "grande aposta" na competitividade da agricultura portuguesa -- ministro


O Plano Nacional de Regadios constitui uma "grande aposta" na competitividade e na vocação exportadora da agricultura portuguesa e terá "uma importância acrescida" para enfrentar as consequências das alterações climáticas, afirmou hoje o ministro da Agricultura.

"Trata-se obviamente de uma grande aposta na competitividade da nossa agricultura, num contributo importante para a criação de riqueza e para continuar a acentuar a vocação exportadora da nossa agricultura, e um importante fator de desenvolvimento rural", disse Luís Capoulas Santos, em entrevista à agência Lusa.

Por outro lado, frisou o governante, o Plano Nacional de Regadios, que vai implicar um investimento de cerca de 500 milhões de euros para requalificar regadios obsoletos ou construir novos regadios para beneficiar uma área total de 90 mil hectares, vai ter "uma importância acrescida" no contexto que se está a viver, em que "cada vez são mais evidentes as consequências negativas das alterações climáticas".


Segundo o ministro da Agricultura, Florestas e do Desenvolvimento Rural, numa região como o sul da Europa, onde Portugal está incluído, que é "tão exposta" às consequências negativas das alterações climáticas, as medidas mitigadoras "passam essencialmente por duas frentes".

"Por um lado, aumentar a capacidade de armazenagem para que possamos dispor de água nos períodos críticos, como é aquele [de seca] que estamos, infelizmente, a viver, e, simultaneamente, avançar no uso eficiente da água, com sistemas tecnologicamente mais avançados, que permitam cada vez com menos água ter melhores resultados em termos da produção agrícola".

Luís Capoulas Santos defendeu a "conjugação" dos dois fatores, o armazenamento e a adoção de medidas que garantam o uso eficiente e a redução dos desperdícios de água, que são os "pilares básicos" da nova política de regadios, traduzida no plano, um "grande investimento" que será feito "nos próximos quatro a cinco anos em Portugal".

Através do plano, o Governo vai "ampliar significativamente o regadio nacional com projetos espalhados um pouco por todo o país", adiantou Capoulas Santos.

O Plano Nacional de Regadios vai ser financiado com verbas do Programa de Desenvolvimento Rural e com um montante de 260 milhões de euros resultantes de dois empréstimos concedidos por bancos europeus.

O maior empréstimo, de 180 milhões de euros, vai ser concedido pelo Banco Europeu de Investimento e o outro, de 80 milhões de euros, pelo Banco do Conselho da Europa, precisou o ministro, referindo que a assinatura dos empréstimos vai concretizar-se este mês.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Orçamento para a agricultura é “muito, muito forreta"



16 nov, 2017 - 10:03

É o dirigente da Confederação Nacional da Agricultura quem o diz na Renascença, onde também levanta o véu sobre o um possível protesto em Coimbra.

Os agricultores ponderam sair à rua para pedir apoio. A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) diz que o Governo não está a resolver os graves problemas que afectam o sector e a parte do Orçamento do Estado a ele destinada é curta.

"Aquilo que nós conhecemos era muito muito forreta para a agricultura e para a floresta. Para a floresta, aliás, praticamente nem conseguimos descortinar orçamento específico", critica João Dinis, presidente da direcção da CNA.

Na Manhã da Renascença, esta quinta-feira, o responsável lembra que a floresta é um sector "estratégico. Estratégico porque precisamos de respirar" e insiste na necessidade "de prevenir a sério os incêndios florestais, esta tragédia".

Tragédia que, este ano, provocou alargados prejuízos no sector, agora agravados com a seca extrema que o país vive.

João Dinis diz que os agricultores estão desesperados.

"Os pequenos agricultores e produtores florestais vêm ter connosco aflitos, desorientados com o problema da perda de património, de rendimento – que é o que mais se sente no imediato – mas também com esta complicação que está montada no terreno e esta confusão inadmissíveis", afirma, referindo-se à burocracia em redor dos apoios pós-incêndios.

"Vamos ter de, provavelmente, sair para a rua", admite o dirigente. "Estive em duas reuniões muito recentes com bastantes agricultores e estamos a encarar a ida Coimbra, à delegação da direcção regional", concretiza.

Na quarta-feira, o Ministério da Agricultura abriu um novo período de candidatura para a estabilização dos solos nas zonas afectadas pelos incêndios de 15 de Outubro. São mais 23 milhões de euros, num total de apoio financeiro que passa assim a ser de 89 milhões.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Governo disponibiliza mais 23 milhões de euros para evitar erosão e destruição dos solos


15/11/2017, 22:25
O ministro da Agricultura anunciou que o Governo vai disponibilizar 23 milhões de euros para combater a erosão e a destruição dos solos depois dos incêndios.

JOÃO RELVAS/LUSA

O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural anunciou esta quarta-feira a disponibilização de mais 23 milhões de euros para dar resposta ao problema da previsível erosão e destruição dos solos das áreas afetadas pelos incêndios.

Com esta verba, cujo concurso vai abrir na quinta-feira, o Governo disponibiliza um apoio total de 89 milhões de euros para medidas de estabilização de emergência, que têm como objetivo evitar a degradação dos solos, declarou o ministro Luís Capoulas Santos.

No âmbito de uma reunião extraordinária do Conselho Florestal Nacional, que decorreu em Lisboa com todas as entidades públicas e privadas que interagem no setor florestal, o governante indicou que esta verba destina-se ao "financiamento das organizações de produtores florestais ou das autarquias locais para proceder à chamada estabilização de emergência nos locais que se revelem de maior risco de erosão ou que possam causar derrocadas nas estradas".

Governo prevê ampliar floresta pública nos próximos anos

O Governo defendeu esta quarta-feira a ampliação da área florestal de domínio público, através da identificação das terras sem dono conhecido, rejeitando qualquer intenção de privatizar a floresta portuguesa, nomeadamente o Pinhal de Leiria.

15 de novembro de 2017 às 22:15

"Nos próximos anos, a floresta pública irá aumentar a sua expressão face ao que existe hoje", afirmou o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, indicando que actualmente o Estado é apenas proprietário de 2% da floresta em Portugal.
 
No âmbito de uma reunião extraordinária do Conselho Florestal Nacional, que decorreu em Lisboa com todas as entidades públicas e privadas que interagem no sector florestal, o ministro Luís Capoulas Santos disse que o Sistema de Informação Cadastral Simplificada, que está já a ser implementado como projecto-piloto em dez municípios afectados pelos incêndios e que se prevê que seja depois alargado a todo o país, vai permitir "identificar o património sem dono conhecido, que, uma vez identificado, passará para a esfera pública e irá ampliar a floresta pública".
 
"O Governo não tem a mínima intenção de privatizar a pouca floresta pública que existe, pelo contrário, temos intenção de ampliar a floresta pública em Portugal", reforçou o governante.
 
O Sistema de Informação Cadastral Simplificada entrou em vigor a 1 de Novembro como projecto-piloto em dez municípios das regiões Norte e Centro de Portugal continental, permitindo o registo dos prédios rústicos e mistos de forma gratuita durante um ano.
 
O registo destes terrenos será feito através do Balcão Único do Prédio (BUPi), um instrumento físico e virtual, da responsabilidade do Instituto dos Registos e Notariado (IRN), que vai agregar a informação registal, matricial e georreferenciada relacionada com os prédios.
 
O projecto-piloto do cadastro integra dez municípios atingidos pelos fogos em Junho deste ano e em 2016, designadamente Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Pampilhosa da Serra, Penela, Sertã, Caminha, Alfândega da Fé e Proença-a-Nova.
 
No caso de terrenos sem dono conhecido, a lei determina a publicitação e o registo provisório e inscrição na matriz dos prédios identificados como sem dono conhecido.
 
"Qualquer interessado pode pronunciar-se relativamente à identificação de prédio como prédio sem dono conhecido, no prazo de 180 dias sobre a data da publicitação do anúncio", lê-se na lei, indicando ainda que os terrenos sem dono conhecido vão ser "inscritos na matriz e registados, provisoriamente, a favor do Estado durante 15 anos".
 
Após a implementação do Sistema de Informação Cadastral Simplificada nos dez municípios do projecto-piloto, o Governo vai apresentar à Assembleia da República "um relatório de avaliação do presente regime, com vista à sua eventual extensão a todo o território nacional", de acordo com a lei em vigor.

Lettuce Grow, a nova plataforma para pequenos agricultores

Um sueco e um húngaro criaram uma plataforma para dinamizar a economia local portuguesa, ligando os pequenos produtores aos negócios locais. A Lettuce Grow vai estar na Web Summit

29/10/2017 - 11:32

Dois jovens europeus, um sueco e um húngaro, decidiram unir-se para criar em Portugal uma plataforma digital de transacção de produtos alimentares que visa conectar os pequenos produtores aos negócios locais com base na proximidade geográfica, a Lettuce Grow.
 
Após uma pesquisa, Gabor Tarok (responsável pelo desenvolvimento informático da plataforma) e Daniel Lind escolheram Portugal para implantar o projecto por ser um país onde existem muitas pequenas quintas e um grande potencial para a agricultura, que não está devidamente explorado. "O clima é excelente para a agricultura e há pequenos agricultores que, por alguma razão, não conseguem suportar a actividade, por isso desistem", observou Gabor Tarok.
 
O húngaro de 33 anos, que também é cozinheiro em part-time e actualmente está baseado no Algarve, desenvolveu a parte tecnológica, mas foi o sueco Daniel Lind, de 26, a viver em Lisboa, que concebeu a Lettuce Grow, depois de se revoltar contra a precariedade laboral em Portugal. "Com este projecto, nós queremos ajudar a economia portuguesa, aumentar a qualidade de vida dos portugueses que, na sua maioria, têm trabalhos precários, o que não é justo", observou, lamentando igualmente o facto de Portugal importar 60% dos produtos de origem agrícola de Espanha.
 
Daniel Lind acredita que Portugal tem melhores produtos, mas os pequenos agricultores não os conseguem escoar porque sai mais barato às grandes multinacionais, que dominam o mercado, importar em grandes quantidades, em vez de comprar localmente. "Nós só ficaremos com 5% das transacções, o que significa que os agricultores podem ganhar três a quatro vezes mais pelos produtos, e estamos a tentar que a distribuição seja gratuita, mas ainda não sabemos se vamos conseguir", explicou.
 
Na plataforma será possível fazer pesquisas por produto e ver imagens dos mesmos, existindo um mapa que revela a localização das quintas e a proximidade a que estão dos clientes. Além de legumes, vegetais e fruta, a plataforma também engloba a transacção de produtos como carne, mel, ovos ou vinho. Gabor e Daniel querem também comprar e dar uma utilização aos desperdícios dos produtores, nomeadamente, frutas, para fazer compotas. "Acreditamos que as pessoas devem comprar produtos de qualidade na vizinhança e não ir longe, porque isso não é sustentável", conclui Gabor Torok.
 
A Lettuce Grow deverá estar operacional até ao final de 2017 e foi uma das 150 startups nacionais seleccionadas no Road 2 Web Summit para participar na edição deste ano da cimeira, que acontece entre 5 e 9 de Novembro, em Lisboa.