quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Mais disparates sobre a Agricultura

15 Fevereiro 2013


Miguel Mota
João Pereira Coutinho tem escrito variados artigos sensatos e com
lógica. Mas recentemente, com o titulo "TV Ruína", escreveu um
chorrilho de disparates sobre a Agricultura. O tema de partida foi a
notícia de alguns quererem voltar a ter na TV o programa "TV Rural".
Transcrevo uma parte:

"Mas entendo o espírito que anima esta grotesca interferência no
"serviço público": a ideia juvenil de que é possível ressuscitar o
nosso sector primário, devastado por Bruxelas com a conivência de
sucessivos governos, através da mera propaganda televisiva.
Infelizmente, não é: décadas de abandono dos campos não se revertem
com odes isoladas aos produtores que resistem por aí".

De tudo isto só tem certo a má actuação dos governos anteriores, em
descarados e ruinosos actos de destruição, que só foram um tanto
travados pela actual ministra.

Bruxelas, mesmo com os vários erros da PAC, não é a responsável pelo
nosso descalabro nesse sector. Não obrigou ninguém a arrancar vinhas
ou a não cultivar. Se alguns que receberam subsídios não souberam ou
não quiseram dar-lhes destino certo não é da responsabilidade da União
Europeia. Os países europeus que vêm cá vender produtos que tínhamos
obrigação de aqui produzir estão sujeitos à mesma PAC.

Não só é "possível ressuscitar o sector primário", como é imperioso
fazer essa recuperação, a bem da nossa economia e, até, da nossa
independência alimentar. É claro que não é só "através da mera
propaganda televisiva", mas esta dá uma boa ajuda.

Parece que algo está a ser feito, embora eu pense que já se poderia
ter feito mais nestes dois anos. Nos muitos escritos sobre o tema,
tenho indicado o que julgo se podia e devia fazer, mesmo com o
reduzido know how que o ministério possui, comparado com o que tinha
há quarenta anos e eu considerava ser insuficiente para as
necessidades do país. Como tenho repetidamente indicado, é imperioso
iniciar um "Plano Intensivo de Investigação Agronómica e de Extensão
Rural", mesmo só coma prata da casa. Não tenho notícia de que isso
esteja a ser realizado.

A referência "aos produtores que resistem por aí", nalguns casos com
bom êxito, é a melhor prova do que é possível generalizar.

O programa "TV Rural" ensinava os agricultores a fazer melhor
agricultura e mostrava muitos aspectos mesmo para quem não era
agricultor e gostava de o ver. Bom será que ressuscite pois ele é um
elemento da extensão rural que, com a investigação agronómica, são as
alavancas do Ministério da Agricultura necessárias para fazer a nossa
agricultura dar uma maior contribuição para a economia portuguesa.

Os nossos economistas e alguns dos nossos jornalistas já mostraram
grande ignorância (se não for pior...) em relação à agricultura. Além
de não saberem que é parte da economia, como se prova com o nome
errado que, desde Guterres, dão ao Ministro do Comércio e Indústria
(que é só Ministro de Parte da Economia), houve um que considerou que
a agricultura era apenas "residual". Outro economista, quando
perguntado se a agricultura não poderia dar uma boa contribuição,
declarou que "no campo alimentar poderia dar um pequeno contributo"
caso que comentei no LE (Um "pequeno contributo", 24-6-2011). Um
jornalista num jornal com as responsabilidades do "Expresso", declarou
em 25-3-2000, que a seca intensa desse ano era "o ponto final da nossa
agricultura". O título do artigo era mesmo "O fim da nossa
agricultura", que também comentei no LE (Continuam muito erradas as
ideias sobre a Agricultura, 26-10-2011).

Não se deve deixar que tais aberrações passem sem ser denunciadas. É
que há pessoas que, não estando dentro dos assuntos, até são capazes
de as tomar como verdades.

http://clubedospensadores.blogspot.pt/2013/02/mais-disparates-sobre-agricultura.html

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