sexta-feira, 22 de março de 2013

Família suíça produz o melhor azeite do mundo em Portugal

QUALIDADE

Andreas Bernhard e seu azeite premiado produzido no Alentjo. (Luís
Guita, swissinfo.ch)
Por Luís Guita, swissinfo.ch
Lisboa
18. Março 2013 - 15:05
A procura por uma "vida diferente" fez com que saissem da Suíça em
direcção a Portugal. Agora, no Alentejo, Andreas Bernhard e família,
juntam o "gosto pela vida no campo" com o realizar de "um sonho, o
fazer algo na agricultura".
É no interior do Baixo-Alentejo, no Monte Novo de Fonte Corcho, perto
da cidade de Serpa, que trabalham um olival de onde extraem aquele que
já foi reconhecido mundialmente como o melhor dos azeites biológicos.
Numa propriedade com 130 hectares, o clã Bernhard faz questão de
seguir as normas biológicas em todo o cultivo e aposta intensamente
num produto de grande qualidade. Desde 2008 que a marca Risca Grande
está presente nas mais importantes feiras e concursos mundiais de
produtos biológicos e está entre os eleitos pelos especialistas. O
mais recente prémio do azeite biológico alentejano Risca Grande virgem
extra foi o Best of Bio-Olive Oil 2013.

Depois de morarem no Algarve, de onde sairam quando sentiram que a
densidade de construção lhes estava a roubar a qualidade de vida que
ai tinham procurado, os Bernhard, que tinham vindo da região Zurique,
instalam-se no Alentejo quando se deixam seduzir por uma propriedade,
então com 80 hectares, com olival, longe de tudo. Andreas lembra que
"no início a mudança foi muito grande". Tal como pioneiros em
território virgem, abriram estrada, construiram casa, instalaram água
e electricidade, e iniciaram-se na produção de azeite.

A actividade "começou num alpendre pequeno com uma maquinita que tinha
sido adquirida em Itália". Entre risos, Andreas recorda que na sua
primeira colheita, há 13 anos, conseguiu produzir 80 litros de azeite.
Por isso, os 35 mil litros de azeite que a Risca Grande produziu com a
mais recente colheita são motivo de orgulho deste suíço que fala o
português com à vontade.
Crescer com qualidade

Nos últimos anos a empresa cresceu a um ritmo de 30% ao ano, em
produção e volume de vendas. Direccionados para a exportação, o
mercado suíço é o principal cliente e absorve entre 30 e 40% da
produção. "Depois vem a Alemanha, Suécia e Japão. Mas também vendemos
para a Holanda e Estados Unidos," revela Andreas, que acrescenta: "O
nosso grande problema é conseguir aumentar a produção e a qualidade,
isto mantendo as caracteristicas que procurámos para o nosso azeite."

Brasil e Cingapura são, para já, dois mercados onde é expectável que a
oferta de azeite Risca Grande venha a crescer. "De vez em quando temos
procura do Brasil. Recentemente tivemos procura de Cingapura."

Sempre com o objectivo de conseguir a satisfação do cliente através de
um produto de pureza máxima, nada é deixado ao acaso. Por isso mesmo,
Andreas explica, com o prazer de quem vive intensamente o trabalho de
um produtor de azeite gourmet, que o sabor basílico, limão e
tangerina, que se encontra na gama Risca Grande, tem um truque: "O
truque é que o sabor não é artificial. O sabor é dos nossos limões,
tangerinas e basílico. As pessoas querem saber se tú és capaz de
produzir tudo isso. Para nós, de certa forma, dá muito trabalho, mas
compensa."

Para alcançar o tão desejado reconhecimento de qualidade, vários são
os caminhos percorridos: A apanha da azeitona é feita mais cedo, ainda
na árvore, de forma a conseguir um azeite com mais nuances, mais
verde, mais vivo, mais picante, mais amargo. De entre as várias
parcelas de terreno, são descortinadas as caracteristicas que cada
parcela de terreno oferece ao fruto, como melhor tirar proveito das
mesmas, fazendo com que determinada azeitona seja utilizada com um
objectivo especifico. Em termos de tecnologia, um lagar novo, onde até
memso as bombas e tapetes são de inox, permite a produção de azeite
isento de ftalatos. O que leva Andreas a afirmar que "haverá sempre
coisas novas em relação às quais é preciso dar resposta. Sendo o
investimento e a evolução uma constante."

Olivais de Risca Grande: maior problema é a água
(riscagrande.com)
Água como garante de sucesso a longo prazo

Apesar do sucesso alcançado, Andreas Bernhard está ciente que "a
concorrência é brutal", mas continua a haver margem de progressão e,
por isso, "é preciso trabalhar mais." Mesmo sabendo que "o azeite
português não é muito conhecido no mundo", porque "o marketing do
país, Portugal, não existe," vê-se que "quando produzes com alta
qualidade, também podes ter sucesso neste mercado."

Quando questionado sobre qual o desejo que gostaria de ver realizado
em 2013, o patriarca dos Bernhard é categórico: "O nosso grande sonho
era ter água – da barragem - de Alqueva". Água que pode permitir o
plantio de mais 18 hectares e trazer mais segurança a quem está tão
dependente das condições climatéricas. "Este ano, como não choveu, foi
muito dificil. Foi um ano de seca e por isso tivemos uma quebra. Se
tivermos água de Alqueva, temos mais uma margem para assegurar a nossa
colheita."

Como a crise que afecta Portugal obrigou a que fossem cancelados os
investimentos que permitiriam à Risca Grande ter água de Alqueva,
Andreas já pensa, com a ajuda de vizinhos, em realizar a obra que era
responsabilidade do Estado e assim conseguir que o precioso líquido
chegue aos agricultores da região.

"O nosso pensamento é a longo prazo. Os filhos, que já trabalham
conosco, também querem ficar aqui. Temos de pensar a 10 ou 20 anos."
Com o desafio de manter a qualidade, "queremos duplicar a produção e a
facturação. Mas isso só vamos conseguir com a água de Alqueva."
Luís Guita, swissinfo.ch
Lisboa

http://www.swissinfo.ch/por/economia/Familia_suica_produz_o_melhor_azeite_do_mundo_em_Portugal.html?cid=35256768

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