segunda-feira, 31 de março de 2014

Pinhão é o segundo fruto seco mais exportado


O registo de uma DOP para o pinhão impediria “práticas conducentes a imitações, concorrência desleal e usos indevidos e abusivos”
O pinhão foi o segundo fruto seco mais exportado em 2013, a seguir à castanha, subindo para primeiro lugar se for incluído o valor da pinha, segundo um estudo da União da Floresta Mediterrânica (UNAC).

O relatório, que sintetiza os resultados do programa de valorização da fileira da pinha e do pinhão promovido pela UNAC, indica que Portugal exportou cerca de 364 toneladas de pinhão no ano passado, com Espanha e Itália no topo dos destinos (96% do total).

O valor médio de exportação de miolo de pinhão rondou os 14,4 milhões de euros nos últimos cinco anos (12,7 milhões de euros em 2013), enquanto o valor médio de exportação da pinha se aproximou dos 11 milhões de euros nos últimos três anos, um montante que se refere apenas à pinha exportada pelo porto de Setúbal (cerca de 10 mil toneladas anuais), desconhecendo-se o valor da pinha exportada por via terrestre.

A falta de informação é, aliás, um dos problemas que a UNAC identifica no seu estudo.

Ninguém sabe, por exemplo, a quantidade de pinhão que os portugueses consomem, nem qual é a produção total de pinha, disse o secretário-geral da organização, Nuno Calado.

Certo é que a área de pinhal tem aumentado: segundo o relatório, “em 40 anos a área de pinheiro manso instalado em Portugal cresceu mais de 100.000 hectares com particular relevância a Sul do território continental onde cerca de 16 concelhos possuem 72% da área total existente”.

A capacidade produtiva da pinha é estimada num valor económico que se situa entre os 50 a 70 milhões de euros/ano.

Em 2013, os 175.742 hectares de pinheiro manso representavam cerca de 6% da floresta nacional, com destaque para o Alentejo que produz 67% das pinhas nacionais e 15% das pinhas mundiais.

No entanto, a abundância de pinheiros nem sempre se reflete na produção de pinha, o que ficou comprovado nas últimas campanhas (2011/2012 e 2012/2013), caracterizadas por uma reduzida produção e uma grande procura, após a excecional produção de pinha que ocorreu em 2010/2011.

Nuno Calado explicou à Lusa que o ciclo normal de produção das pinhas apresenta variações anuais, podendo ocorrer outros fatores que podem influenciar a produção de pinha num determinado ano, como a ocorrência de doenças ou a seca.

“Não está ainda identificada a razão que levou à quebra de produção [nas últimas campanhas]”, sublinhou o responsável da UNAC, apontando um conjunto de fatores “com potencial impacto” como a hiperprodução de 2011, ocorrência da praga do inseto ‘sugador de pinhas’ (Leptoglossus occidentalis) que se alimenta de pinhas e flores de diversas espécies, entre as quais o pinheiro manso, ou a situação de seca meteorológica que caracterizou o ano de 2012.

A UNAC identificou entre os principais “constrangimentos” da fileira os riscos de adulteração do produto e desregulação do mercado, com problemas graves de furto e de evasão fiscal, deficiente organização da fileira e inexistência de estratégias de marketing com consequências gravosas para a valorização do pinhão junto do consumidor relativamente a produtos concorrentes, vindos da China e da Turquia.

O estudo aborda também a necessidade de adotar boas práticas na colheita, transporte, armazenamento e comercialização de pinha

“A colheita manual da pinha é uma operação que possui o risco inerente à atividade devido à necessidade de subir ao topo das copas, existindo vários acidentes todos os anos”, salienta a organização, considerando “essencial” fomentar a colheita mecanizada da pinha para rentabilizar a cultura, minimizar os efeitos da falta de mão-de-obra e o seu elevado preço, maximizar a colheita e diminuir o período de apanha, evitando roubos.

A UNAC alerta ainda para a utilização comercial abusiva e fraudulenta do nome “Alcácer do Sal” ou “Alentejo/Portugal”, em pinhão de qualidade marcadamente inferior e defende a criação de “um sistema de controlo e certificação que garanta que só possa beneficiar do uso da futura Denominação de Origem Protegida (DOP), o pinhão obtido em povoamentos ou pomares para o efeito autorizados”.

O registo de uma DOP para o pinhão impediria “práticas conducentes a imitações, concorrência desleal e usos indevidos e abusivos”.

O objetivo do programa de valorização da fileira da pinha/pinhão é melhorar a competitividade desta fileira no Alentejo, “abrangendo todas as vertentes de exploração de um recurso florestal – económica, social e ambiental”.

Os resultados do projeto foram apresentados em Alcácer do Sal, na sexta-feira, no mesmo dia do lançamento do livro "Receitas com Pinhão", do provedor da Confraria Gastronómica do Alentejo.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico

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